Snowtrips - Chile e Argentina








O Brasil nas Olimpíadas de Inverno 2006

18/02//2006
Isabel Clark Entra para a História do Esporte Nacional

O público presente á pista de Bardonecchia, sede das competições de snowboard dos Jogos Olímpicos de Turim-06 assistiu, nesta sexta-feira, dia 17, a um momento histórico para o esporte brasileiro. A carioca Isabel Clark conquistou a nona colocação na prova de boardercross na competição. Este passa a ser o melhor resultado brasileiro em todas as edições de Jogos Olímpicos de Inverno. Para alcançar esta posição, Isabel superou várias atletas mais bem colocadas do que ela no ranking mundial da Federação Internacional de Esqui (FIS), inclusive a francesa Karine Ruby, considerada a melhor snowboarder de todos os tempos, com duas medalhas olímpicas no currículo. "Estou muito feliz e orgulhosa por esta colocação, que é o resultado de muito trabalho. Me dediquei a vida inteira para chegar bem aos Jogos Olímpicos. Ficar entre as dez primeiras colocadas é fantástico", afirmou Isabel, que mora no bairro do Humaitá, na Zona Sul do Rio de Janeiro.


Isabel Clark conquistou a nona colocação na prova de boardercross, o melhor resultado brasileiro em todas as edições de Jogos Olímpicos de Inverno

A medalha de ouro da competição ficou com a suíça Tanja Frieden, sétima colocada no último Campeonato Mundial. A prata foi para a americana Lindsey Jacobelis, primeira do ranking da Federação Internacional de Esqui (FIS), e o bronze para a canadense Dominique Maltais, quarta colocada no último Mundial.

Até a apresentação de Isabel Clark em Bardonecchia, a melhor colocação brasileira em Jogos Olímpicos de Inverno era o 27° lugar do bobsled em Salt Lake City, em 2002.

O boardercross é uma mistura de competição de estilo livre, por causa das manobras e saltos, e de snowboard alpino, pela descida em alta velocidade. Alguns consideram a modalidade próxima ao motocross, pelos saltos, curvas e a disputa ombro a ombro dos atletas. Esta foi a primeira vez que o boardercross foi disputado em Jogos Olímpicos, já com uma brasileira entre as dez melhores. "Este resultado extraordinário da Isabel Clark Ribeiro é melhor do que o de muitos atletas brasileiros que disputaram os Jogos Olímpicos de Verão, inclusive os Jogos de Atenas- 04", disse o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman. "Este resultado histórico, o melhor do Brasil em uma edição de Jogos Olímpicos de Inverno, entusiasma os jovens brasileiros que amam os esportes de inverno", completou Nuzman.

A prova de boardercross feminina contou com 23 participantes. Destas, 17 eram mais bem colocadas no ranking mundial do que a brasileira. Isabel é a 29ª no ranking mundial da FIS, que controla também o snowboard. Na primeira etapa, qualificatória, as competidoras desceram duas vezes sozinhas na pista. O melhor dos dois tempos valeu para classificar as 16 mais velozes à fase final. Isabel foi a 18ª atleta a entrar na pista para sua primeira descida, onde já surpreendeu. A carioca marcou o tempo de 1min32s12, sendo a terceira mais rápida entre todas as competidoras. Na segunda descida, Isabel marcou 1min31s49, caindo para a sexta posição.

Mesmo com a sexta melhor colocação, Isabel não teve facilidade e deu azar na composição das chaves finais. Nas quartas-de-final, a carioca enfrentou nada menos do que a americana Lindsey Jacobelis, que acabou com a medalha de prata, a suíça Mellie Francon, terceira do ranking, e a francesa Karine Ruby, considerada a melhor do mundo. Lindsey Jacobelis foi campeã mundial no bordercross em 2005. Karine Ruby é considerada a melhor snowboarder de todos os tempos, tendo conquistado o ouro no slalom gigante em Nagano-98 e prata no slalom gigante paralelo em Salt Lake-02. Isabel não largou bem, saiu atrás das adversárias, mas ultrapassou Karin Ruby ao final do percurso, ficando em terceiro na bateria, o que lhe garantiu a vaga na disputa do nono ao 12° lugar.

Na sua última descida, Isabel enfrentou a francesa Deborah Anthonioz, sexta colocada no último Campeonato Mundial; a suíça Olívia Nobs, quarta colocada no ranking mundial; e a alemã Katharina Himmler. Isabel largou por último mais uma vez, mas teve tranqüilidade para vencer a bateria. Ainda no início do percurso, as três adversárias se embolaram em uma curva e caíram. Isabel teve perícia para escapar do acidente e concentração para seguir adiante sem perder o foco na linha de chegada. "Quando elas caíram eu mantive a calma e o olhar na continuação da pista. Já aconteceu de eu ultrapassar adversárias que haviam caído, perder a concentração e cair também", explicou Isabel. "Hoje eu competi com muita confiança, tranqüila, sabendo o que estava fazendo o tempo todo, fazendo a melhor linha da pista possível", disse a brasileira.

Isabel se preparou intensamente para a disputa dos Jogos Olímpicos de Turim, participando das principais etapas da Copa do Mundo. Seu melhor resultado na competição foi um oitavo lugar na etapa de Whistler, no Canadá, em novembro passado. Há dois anos Isabel vive exclusivamente para as competições de snowboard. "Agora eu tenho o suporte do Comitê Olímpico Brasileiro e da Confederação Brasileira de Desportos na Neve. Este suporte me permitiu formar uma excelente equipe e correr as principais etapas da Copa do Mundo. Essa colocação olímpica é fruto de muito trabalho", disse Isabel. "O trabalho de todos foi realmente muito intenso. A Isabel é uma garota muito dedicada e toda a equipe está de parabéns. O nono lugar em Jogos Olímpicos é um marco para os esportes de inverno do Brasil", comemorou Stefano Arnhold, presidente da Confederação Brasileira de Desportos na Neve.

Isabel teve o primeiro contato com o snowboard aos 17 anos, através do irmão Leonardo, em uma viagem à Califórnia, e logo se apaixonou pelo esporte. A partir daí, sempre que podia, viajava para o Vale Nevado, no Chile, para poder praticar. Para poder bancar os treinamentos e ficar mais tempo em contato com a neve, Isabel passou a ser instrutora de snowboard, aos 21 anos. Foi quando começou a disputar os primeiros campeonatos brasileiros. Isabel é onze vezes campeã brasileira e pentacampeã sul-americana. "Fui deixando de ser instrutora aos poucos. Hoje me dedico exclusivamente às competições e treinamentos. Todo o trabalho valeu a pena", disse Isabel Clark.



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10/02//2006
Olimpíadas de Inverno Começam Hoje!
Hoje, a partir das 17h (de Brasília), cerca de dois bilhões de pessoas ao redor do mundo estarão assistindo à festa de abertura das XXI Olimpíadas de Inverno de Turim, na Itália. Durante as Olimpíadas, cerca de dois mil e quinhentos atletas de 85 países estarão competindo em 15 modalidades.

O Brasil estará levando sua maior delegação para esta edição do evento, competindo com 10 atletas nas categorias de esqui alpino, esqui cross country, snowboard cross e bobsled. A grande novidade é a participação brasileira em competições olímpicas de snowboard. A carioca Isabel Clark, depois de muitos anos competindo e treinando, conseguiu a tão batalhada classificação. Isabel não só é a melhor atleta de snowboard do Brasil, mas de toda a América do Sul, registrando o 29° lugar no ranking mundial. A carioca será também a porta-bandeira durante a cerimônia de abertura.

"Será uma grande emoção desfilar com nossa bandeira. Fiquei muito orgulhosa em ser honrada por esta escolha. Minha confiança em realizar uma bela competição aumentou ainda mais" - disse Isabel, que terá sua primeira descida classificatória no dia 17.







10/02//2006
Entrevista com Isabel Clark

Onde você esteve treinando recentemente para as Olimpíadas de Inverno?

Isabel Clark: Em Val Thorens na França, onde estivemos treinando antes de entrar na Vila Olímpica. É um lugar ótimo para treinar, com boas pistas, bom parque e pista de SBX. Além de ser a estação mais alta da Europa o que facilitará o condicionamento já que Bardonecchia, onde será a competição, está mais baixo.

Como você se preparou para as competições?

Passei todo Novembro em Santiago, fazendo preparação física e sessões com meu psicólogo esportivo Gastón Ortz de Rozas. Depois parti para Whistler com meu treinador, Iván Fuenzalida onde participei da Copa do Mundo, e depois treinamos durante o resto do mês. Em seguida tivemos algumas etapas da Copa do Mundo na Áustria e Italia, onde o Gastón voltou a se juntar comigo . Estou tendo o apoio dos dois agora o que está sendo muito bom. Nesta etapa peguei um resfriado muito forte e fiquei fora de uma Copa do Mundo na Italia, mas depois da melhora voltei forte para as pistas conquistando dois quartos lugares na França.

O Iván me ajuda a melhorar tecnicamente, observando o que estou fazendo na pista e como posso fazer melhor. O Gastón me ajuda com o objetivo de buscar uma atitude decidida e competitiva nas competições. Graças ao apoio da CBDN estou fazendo uma preparação deste nível e podendo contar com a ajuda de profissionais, o que é indispensável no nível que estou.



Qual o equipamento que está usando? Algo especial ou novo para lhe dar uma vantagem nas provas?

Estou com um ótimo patrocínio da Rossignol, começamos a pouco tempo e construímos uma boa relação e confiança, eles estão contentes com o trabalho que tenho feito e fazem o possível para me ajudar da melhor forma e estou muito contente com o material que me passam.

Esta temporada estou usando uma prancha especial para mim, com a base toda negra para deslizar mais e flexibilidade especial para mim. O molde da prancha corresponde ao modelo Jonas Emery que é um pouco mais larga para ter um pouco mais de superfice de deslizamento, e o tamanho é 161. Estou usando uma bota que é a bota mole mais dura que já usei, demorei alguns dias para me acostumar e amolecê-las um pouco. Agora estou adorando pois são super precisas. E os bindings são do modelo HC 3000 deste ano que são um pouco mais duros que ano passado, mas muitos bons também.


- Você tem uma preferência entre as descidas de tomada de tempo e as descidas em baterias de 4 pessoas? Em qual você costuma ter uma performance melhor?

É bem diferente. Com certeza as baterias de 4 são mais dificeis do que descer sozinha na classificação, mas é um desafio maior descer de 4. A concentração é o que mais conta para não se distrair com o fato de ter outras pessoas descendo junto. O objetivo é estar bem centrado na pista e em si a atenta e pronta para qualquer acontecimento inesperado, sempre buscando a velocidade. A partida nas baterias é super importante também já que quem tem uma melhor partida já sai em vantagem na frente. Não sei qual sou melhor, pois às vezes desço super bem na classificação e às vezes super bem nas finais também, ou seja, quando estou bem concentrada desço bem nas duas.


- Esse é o primeiro ano que terá SBX (Snowboard Cross) nas Olimpíadas. Você acha que isso
faz do evento mais especial ainda, já que é a primeira vez que há SBX e é primeira vez que um atleta de snowboard brasileiro se classifica?

Com certeza, o SBX é um esporte novo nas Olimpíadas e por isso deve crescer muito. A tendência do esporte é evoluir cada vez mais. E o SBX é uma modalidade mais acessível a todos por ter características de cada modalidade como saltos, velocidade. carving, agilidade, etc. Acho que vai ser um evento muito bonito e emocionante de se assistir.

Como você está se sentindo em relação a tudo isso, o seu sonho se realizando?

Com certeza sempre tive vontade de ir às Olimpíadas, e estou trabalhando forte para chegar bem lá, tanto que nem tenho muito tempo de pensar que é um sonho. Estamos treinando cada aspecto, como técnico, físico, piscológico e a consequência disso é estar sempre concentrada em me superar e fazer o que quero fazer na pista.

Você gostaria de deixar algum comentário?

Gostaria de agradecer o apoio da CBDN que está sendo fundamental para fazer tudo isso possível. E e o apoio da Osklen, que sempre me apoiou e agora fechamos um patrocínio que vai ser fundamental para a minha carreira, já que quero ir até as Olimpíadas de Vancouver 2010, e mais do que nunca vou precisar da força de patrocinadores como a Osklen.

Estamos torcendo por você. Boa sorte!

>> Clique aqui para ver o calendário de provas de snowboard nas Olimpíadas de Inverno 2006.

>> Clique aqui para visitar o site oficial da atleta Isabel Clark.


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